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BRASÍLIA NO CAMINHO CERTO
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Política: o que temos a ver com isso, se é que temos (por Myron Pires).

Na maioria dos países modernos ocidentais, a participação política do cidadão começa e acaba no ato de votar (o que no nosso Brasil é obrigatório). É só nas eleições, ou referendos, que ele é chamado à campo para o jogo político. O resto do tempo passa na arquibancada, assistindo e torcendo, ou vai para casa e liga a televisão, só para descobrir que o jogo é local e não está sendo transmitido. A metáfora da arquibancada pode ainda ser melhor explorada: Imagine que alguns assistam o jogo na geral, outros vão para os camarotes, e tem também as cadeiras numeradas. Assim dá para perceber que existem ângulos melhores e situações mais confortáveis para se apreciar o jogo. Tendo amizade com o técnico, pode ficar lá no túnel e até dar palpite. É dali que se percebe a estratégia - o que está por trás de cada jogada e dos movimentos de cada jogador, mesmo daqueles que não estão com a bola no momento.

Ocorre que, não importando qual a postura que tivermos com relação às coisas da política, ela sempre influencia a nossa vida. Há uma frase, atribuída a Napoleão, que diz: Não adianta não se preocupar com a política, ela se preocupa com você assim mesmo.

Pessoas que conheço, aparentemente bons e piedosos cristãos, dizem que não gostam de política, desprezam os políticos, sofrem com o poder que eles exercem. Outros não teriam uma opinião tão negativa. Diriam que é direito e dever participar da política, traze-la para um nível mais alto, enobrece-la com a participação de cidadãos de bem. Eu diria que os primeiros tem uma visão mais realista que os últimos.

Os que criticam o jogo político e as coisas do poder estão corretos em faze-lo. É difícil imaginar algo mais passível de crítica que a política, e não falo desta política que aí está, falo de toda a política em qualquer parte do mundo. Por isso, os que preservam a crença de que se pode mudar a natureza da atividade política, uma vez que homens de bem dela tomem parte, estão enganados. A política e o exercício do poder, neste mundo em que vivemos e nesta ordem das coisas, são o que são. Os atos relacionados ao poder e à política, atos estes perpetrados por políticos ou por funcionários delegados por eles, podem tanto ser um bálsamo e um remédio para a nação quanto ferir fundo e irreparavelmente a alma desta mesma nação. Tais atos não são naturalmente guiados por princípios de bondade e compaixão.

É verdade que muitos dos grandes feitos em direção ao progresso material e humano foram conduzidos por grandes líderes políticos. Analisando a história veremos que, por trás dos bastidores, esses grandes líderes políticos também desagradaram muita gente e enfrentaram formidável oposição para conseguir os seus objetivos, e muitas vezes o que fizeram não foi nada mais do que demolir a obra ruim que outros edificaram. Assim, qualquer progresso real que se origina na esfera política percorre, em razão da própria natureza da política, um caminho incerto e tortuoso.

Mas, afora reconhecer os avanços realizados pelas lideranças de nosso país e do mundo, o que sinto necessidade de aqui frisar, em nome da honestidade e do bom senso, é o fato do mundo da política e do poder ser uma região sombria, onde as consciências individuais são feridas e minadas diariamente pela pressão de um jogo desleal. É um mundo onde as boas intenções dos homens de bem podem se tornar apenas instrumentos na consecução dos objetivos reais dos mais astutos. Nesta região sombria, o jogo aparentemente acontece no campo do adversário e os árbitros não são confiáveis.

Então, será que deveríamos mesmo nos envolver com política, políticos e poder? Esta é uma boa pergunta. Na verdade é a pergunta crucial. E a resposta é sim - devemos nos envolver sim. Não há esperança de que se altere a natureza da atividade política, assim como não há esperança de que os seres humanos deixem de ser pecadores neste mundo. Aqui, até onde se sabe, não é o Céu, muito embora alguns cristãos façam de conta que já estamos no paraíso. Falando sério, a verdade é que vivemos na expectativa de um novo reino, uma nova ordem de coisas que Jesus trará. Trabalhamos no dia a dia nessa expectativa e confiança, crendo que o que fizermos terá recompensa não aqui, mas no mundo vindouro. Apreciamos os fatos positivos que são produzidos na história enquanto a testemunhamos, mas, nem por isso, temos a ilusão de que o mundo abandonou sua natureza decaída, a despeito de nossa honesta e dedicada participação. Pelo contrário, percebemos claramente como as coisas estão difíceis e quanto ainda há por ser feito. Se agimos assim com relação a nossas atividades corriqueiras neste mundo - nossa profissão, escola, relacionamentos, igreja, etc - porque não temos a mesma atitude com a atividade política, que é, no fundo, apenas mais uma das lides humanas, necessária e inevitável?

A resposta seria: porque dói. É isso mesmo, política pode ser bom, mas é uma atividade freqüentemente muito dolorosa. Quando participamos do jogo político e este não nos é favorável, só nos restará dor, frustração, inimizades, amargura, derrota, incompreensão, vergonha, etc. Participar desse jogo é encarar uma das atividades mais duras que existem. As recompensas são atraentes, mas pouquíssimos as usufruem. Basta perguntar para qualquer político. Todos eles falam, com bastante experiência, dos maus bocados relacionados à atividade que escolheram. Quanto a nós, cristãos, temos exemplo de sacrifício e perseverança em Cristo.

Portanto, rejeitar uma atividade por causa da possibilidade de sentir dor não é exatamente seguir o Seu exemplo.

Poderia falar de grandes homens e mulheres de fé do passado. Graças à dedicação e maturidade dessas pessoas, temos hoje acesso à Palavra e a um conjunto de leis básicas que provê um inédito equilíbrio entre forma e liberdade. Não precisamos mais fazer o que eles fizeram, simplesmente porque já foi feito. O que precisamos é do zelo que tiveram, que os levou a enfrentar o status quo, correr riscos pessoais, se envolver em coisas de política e sair vitoriosos. Temos diante de nós, nos dias de hoje, outras batalhas. Teremos vitória quando compreendemos o papel que temos a exercer no mundo político tal como se apresenta. Esse papel é amplo, geral e irrestrito.

Não se envolver com política é, em si, uma postura política, que traz conseqüências reais e importantes. Nenhuma delas positiva. Procurar e encontrar o nível de envolvimento que podemos, individualmente, ter. Buscar influenciar a sociedade baseados no fato de que receberemos sabedoria do alto para tanto, e agirmos com eficácia nesse sentido, são desafios ao cristão de hoje. Quem se candidata?

Myron Pires é membro da Igreja Presbiteriana de Brasília e analista na área de política e estratégia. E-Mail: myronpires@hotmail.com



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