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BRASÍLIA NO CAMINHO CERTO
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PERDÃO

A palavra PERDÃO pode ser definida como um ato de perdoar a um ofensor, cessar de ter ressentimento dele por sua ofensa e renunciar a toda as reivindicações de compensação.

Deus destaca-Se como Deus que concede perdão aos que procuram tal perdão. Mas Ele não isenta da punição aqueles que deliberadamente se coloram em oposição a Ele e aos seus justos modos (Ex 34.6-7).

1. No Antigo testamento

No Antigo Testamento, a idéia de perdão é transmitida principalmente por vocábulos derivados de três raízes. Kpr mais usualmente transmite a idéia de expiação, e seu uso em conexão com os sacrifícios é freqüente. Seu uso como “perdão” implica em que alguma expiação foi efetuada. O verbo ns’ significa, basicamente, “elevar”, “carregar”, e nos apresenta um quadro vívido em que o pecado é levantado do pecador e transportado para longe. A terceira raiz, slh, de derivação desconhecida, corresponde, entretanto, bem de perto ao nosso vocábulo “perdoar”. O primeiro e o último desses termos sempre são empregados para indicar o perdão concedido por Deus, enquanto que ns’ é aplicado é aplicado ao perdão humano.

O perdão não é considerado como um truísmo, como algo pertencente à natureza das coisas. Passagens que falam sobre o Senhor em que Ele não perdoa certas ofensas são abundantes (Dt 29.20; II Rs 24.4; Jr 5.7; Lm 3.42). Quando o perdão é obtido, porém, trata-se de algo que deve ser recebido com gratidão e que deve ser tratado com respeito e admiração. O pecado merece castigo. O perdão é graça admirável. “Contigo, porém, está o perdão”, diz o salmista e então (talvez surpreendentemente para nós), adiciona, “para que te temam” (Sl 130.4).

O perdão é algo ligado com a expiação. Slh tem ligação com os sacrifícios, e isso é repetidamente exibido. E, conforme já verificamos, o verbo da raiz kpr tem o sentido essencial de “fazer expiação”. Novamente, talvez não seja por coincidência que ns’, além de ser usada para indicar o perdão do pecado, é igualmente empregada para indicar o levar sobre si a pena do pecado (Nm 14.33 e seg.; Ez 14.10). As duas coisas parecem estar inseparavelmente ligadas. Isso não significa, entretanto, que Deus seja um ser severo, que não perdoa sem um quid pro quo (tomar um pelo outro). Deus é Deus gracioso, e os próprios meios eu neutralizam o pecado foram instituídos por Ele. Os sacrifícios só tem valor porque Ele estabeleceu que o sangue é o meio de fazer expiação (Lv 17.11). O Antigo Testamento nada conhece sobre o perdão arrancado a força de um Deus indisposto, ou adquirido por meio de um suborno.

O perdão, por conseguinte, só é possível porque Deus é Deus cheio de graça, ou, segundo a bela expressão de Neemias 9.27, é “Deus perdoador”. “Ao Senhor, nosso Deus, pertence a misericórdia, e o perdão” (Dn 9.9). Uma passagem muito instrutiva a respeito de toda a atitude do Antigo Testamento sobre o perdão, é Êxodo 36.4 e seg.: “Senhor, Senhor Deus compassivo, clemente e longânimo, e grande em misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocenta o culpado”. Pelo lado humano há necessidade de arrependimento se o indivíduo tiver de ser perdoado. Apesar de que isso não é expresso como exigência formal, por toda parte fica subentendido. O homem impenitente, que prossegue em seu ímpio caminho, ao contrário dos pecadores penitentes, nunca é perdoado.

Resta observar que o pensamento do perdão é transmitido a nós da maneira mais pitoresca possível, usando outros símbolos que não nossa três palavra básicas para perdão. Assim é que o salmista escreve, dizendo: “Quanto dista o Oriente do Ocidente, assim afasta de nós as nossa transgressões” (Sl 103.12). Isaías refere-se a Deus como alguém que lança todos os pecados do profeta para trás da costas (Is 38.17), e como Aquele que “apago as tuas transgressões” (Is 43.25; Sl 51.1, 9). Em Jeremias 31;34, o Senhor diz: “Pois, perdoarei as suas iniquidades, e dos seus pecados jamais me lembrarei”, enquanto que Miquéias se refere a Deus como Aquele que “lançará os nossos pecados nas profundezas do mar” (Mq 7.19). Tão vívida linguagem salienta quão completo é o perdão outorgado por Deus. Quando Ele perdoa, os pecados humanos são inteiramente apagados. Deus não os vê mais.

2. No Novo Testamento

No Novo Testamento existem dois verbos principais que nos convém considerar, a saber, charizomai (que significa “tratar graciosamente com”) e aphiëmi (mandar embora “soltar”). O substantivo aphesis, “remissão, também é encontrado com alguma freqüência. Existem igualmente dois outros vocábulos, apoluõ “libertar”, que é empregado em Lucas 6.37, que diz: “Perdoai, e sereis perdoados”; e paresis, “o deixar passar”, empregado em Romanos 3.25, quando Deus deixa passar os pecados cometidos nos dias anteriores.

No Novo Testamento há diversos pontos que são esclarecidos. Um deles é que o pecador perdoado deve também perdoar aos outros. Isso é manifesto em Lucas 6.37, trecho citado acima, na Oração do Pai Nosso, e noutras passagens. A prontidão em perdoar aos outros faz parte da indicação que verdadeiramente já nos arrependemos. Além disso, tal perdão deve ser de todo coração. Deve originar-se do perdão com que Cristo nos perdoou, e dever ser semelhante ao perdão com que Cristo nos agraciou: “Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós” (Cl 3.13). Por diversas vezes Cristo insiste a respeito da mesma verdade, conforme também a ilustrou na parábola do servo sem misericórdia (Mt 18.23-35).

O perdão não é ligado diretamente à cruz com freqüência, embora algumas vezes isso seja feito, como em Efésios 1.7, que diz: “no qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados”. Semelhantemente, em Mateus 26.28, lemos que o sangue de Cristo foi derramado “em favor de muitos, para remissão de pecados”. Mas usualmente encontramos o perdão diretamente ligado com o próprio Cristo. “Deus em Cristo vos perdoou” (Ef 4.32). “Deus... o exaltou... a fim de conceder a Israel o arrependimento e a remissão de pecados” (At 5.31). “... se vos anuncia remissão de pecados por intermédio deste” (At 13.38). Juntamente com essas devemos enfileirar aquelas passagens nas quais Jesus, durante os dias de Sua vida na carne, declarou que certos homens estavam perdoados. De fato, no incidente da cura do paralítico, que foi deixado por uma abertura feita no eirado, Jesus operou o milagre expressamente com o propósito que “saibais que o Filho do homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados” (Mc 2.10). Porém, a Pessoa de Cristo não deve ser separada de Sua obra. O perdão por meio ou através de Jesus Cristo significa um perdão que origina em tudo quanto Ele é e em tudo quanto Ele faz. Em particular, não se deve compreender o perdão como algo separado da cruz, especialmente em vista do fato que Sua morte é freqüentemente declarada como uma morte “pelo pecado”. Em adição às passagens específicas que ligam o perdão à morte de Cristo, há todo o peso de muitas passagens do Novo Testamento que abordam a morte expiatória do Salvador.

O perdão depende basicamente, portanto, da obra expiatória de Cristo. Em outras palavras, trata-se de um ato de graça completa. “Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (I Jo 1.9). Pelo lado humano, a necessidade do arrependimento é repetida por muitas e muitas vezes. João Batista pregou “batismo de arrependimento para remissão de pecados” (Mc 1.4), tema esse que foi aproveitado por Pedro com referência ao batismo cristão (At 2.38). O próprio Cristo ensinou que “em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados” (Lc 24.47). O perdão é semelhantemente ligado à fé (At 10.43; Tg 5.15). A fé e o arrependimento não devem ser reputados coisas meritórias mediante as quais merecemos o perdão. Pelo contrário, são os meios pelos quais nos apropriamos da graça de Deus.

Duas dificuldades precisam ser mencionadas. Uma delas é o pecado contra o Espírito Santo, que jamais poder ser perdoado (Mt 1.31 e seg.; Mc 3.28 e seg.; Lc 12.10; I Jo 6.15). Esse pecado em parte alguma das Escrituras é definido. Porém, à luz do ensinamento total do Novo Testamento, é impossível considerá-lo como um ato específico de pecado. A referência é antes à atitude blasfemadora constante contra o Espírito de Deus, por parte daquele que sempre rejeita a graciosa chamada de Deus. Issoé realmente blasfêmia.

A outra dificuldade acha-se em João 20.23: “Se de alguns perdoardes os pecados, são-lhe perdoados; se lhos retiverdes, são retidos”. É dificílimo para o cristão imaginar que Cristo haveria de deixar nas mãos dos homens a determinação do perdão ou não sobre os pecados de outrem. Os pontos importantes são os plural “os pecados” (que salienta mais as categorias, e não os indivíduos), e o tempo gramatical perfeito aqui traduzido como “são-lhe perdoados” (mas que em realidade significa “foram-lhe perdoados” e “foram-lhe retidos” e não “ser-lhe-ão perdoados” e “ser-lhe-ão retidos). O significado dessa passagem, portanto, parece ser que, sendo iluminados pelo Espírito Santo (vrs. 22), os seguidores de Jesus seriam capazes de dizer com precisão quais categorias de homens têm seus pecados perdoados, e quais não os têm.

Perdoar é uma qualidade que somente o verdadeiro cristão tem. Quando esse entende o amor de Deus demonstrado através do sacrifício de Jesus Cristo na cruz para perdoar os nossos pecados -, e para tanto deu a sua própria vida -, aí ele entende que devemos também perdoar às pessoas que nos levam em ofensas. Não se pode nunca perdoar sinceramente a alguém sem antes entender o perdão de Deus para conosco. Todavia, tendo a certeza de que seus pecados já foram perdoados por Deus e que aceita o sacrifício de Cristo como demonstração dessa perdão divino, podemos liberar o perdão às outras pessoas, pois assim estaremos cumprindo a ordem divina: perdoados para perdoar.

Brasília-DF., 14 de setembro de 2000

Eliel Mendes Presbítero da Assembléia de Deus Quadra 15, Sobradinho-DF



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