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BRASÍLIA NO CAMINHO CERTO
Notícias

09/02/2008
O Mundo Pós-Bush

O MUNDO PÓS-BUCH

Em 20 de janeiro de 2009, George W. Bush, salvo sua morte, renúncia ou impeachment, será sucedido pelo 44º presidente dos Estados Unidos. Seja republicano ou democrata, o próximo presidente não apenas herdará uma série de crises, mas estará em uma posição consideravelmente mais fraca para lidar com elas.

Grande parte da fraqueza americana se deverá aos ferimentos auto-infligidos: a invasão desnecessária no Iraque, o unilateralismo arrogante do governo Bush, sua hostilidade para com a lei internacional. Mas a maioria das tendências que limitarão a influência e o poder americanos na próxima década vira de fenômenos de longo prazo produzidos por desdobramentos econômicos, demográficos e ideológicos além da influência do governo americano ou de qualquer outro.

Olhando para trás, podemos ver o período da história que chegou ao fim como os “longos anos 90″. Aqueles anos começaram na euforia com a queda do Muro de Berlim em 1989 e expiraram na frustração do final de 2003, quando a rápida vitória dos Estados Unidos e seus aliados sobre as forças armadas do Iraque foi sucedida por uma insurreição que expôs os limites do poderio americano. Mas mesmo se 11 de Setembro e a invasão americana nunca tivessem ocorrido, a crença convencional dos longos anos 90 sucumbiria a certa altura.

Pegue a suposição central de que no final da Guerra Fria um mundo bipolar foi substituído por um unipolar. Isto era verdadeiro apenas na dimensão militar - mas mesmo aí o poderio americano foi exagerado. Quando se tratou de uma guerra assimétrica na forma de campanhas contra rebeldes, as forças armadas americanas, como todas as forças armadas convencionais, se viu na posição de um Golias desajeitado tentando esmagar o pequeno Davi.

A bipolaridade deu lugar não a uma unipolaridade, mas sim a multipolaridade - e isto desde o início dos anos 70, após a Europa e o Japão se recuperarem da devastação da Segunda Guerra Mundial e com o início da ascensão da China. Em 1971, foi famoso o anúncio pelo presidente Nixon do surgimento de um mundo com cinco centros de poder: os Estados Unidos, União Soviética, Europa, Japão e China. O fato das outras grandes potências terem aceitado que os Estados Unidos enfrentassem Estados menores não torna o mundo tão unipolar quanto ele era quando a hegemonia naval britânica do século 19 fazia com que o Reino Unido exercesse a hegemonia da Europa.

Considere outra peça da crença convencional dos anos 90 - a revolução global dos direitos humanos. A vencedora das guerras ideológicas do século 20, nos foi dito, era a democracia capitalista libertária. A adoção entusiástica das normas dos europeus ocidentais pelos antigos países comunistas do Leste Europeu parecia fornecer evidência disto. Mas o nacionalismo tem sido o movimento mais poderoso - como testemunha a divisão sangrenta da Iugoslávia, sem contar a desintegração da União Soviética segundo as divisões étnico-nacionais.

A maioria das pessoas envolvidas em violência política atualmente está lutando por uma pátria nacional que represente a nação étnica a qual pertencia. A questão da forma de governo pode ser resolvida depois, após uma nação sem Estado obter seu próprio Estado. E a democracia pode inflamar as rivalidades nacionais pré-existentes; ela não é uma cura para elas.

E há a economia. Estava correta a crença convencional dos longos anos 90 de que o capitalismo tinha derrotado o socialismo, mas errada em assumir que o capitalismo libertário vigente nos Estados Unidos no final do século 20 era o vencedor. O crescimento da China e da Índia pode inaugurar uma nova era de mercantilismo, à medida que potências industriais asiáticas como a China, não dispostas a depender do livre mercado para fontes de energia e commodities, se envolvem em negociações com países fornecedores. Contratos bilaterais já estão substituindo o livre mercado em petróleo e gás, e pactos comerciais regionais estão proliferando enquanto as negociações de comércio global estão emperradas.

A crença convencional dos longos anos 90, assim, estava errada em todos os aspectos. Em vez do mundo testemunhar a partida inglória das forças americanas de um Iraque caótico no últimos anos de sua presidência, Bush provavelmente transferirá o problema para seu sucessor. A necessidade de se defender de um ataque político doméstico e demonstrar o poderio americano para o mundo, mesmo após o fracasso no Iraque, provavelmente fará com que o próximo presidente promova a retirada apenas após uma demonstração de força. Os Estados Unidos poderão continuar fornecendo apoio militar de alguma forma, seja para um ameado governo iraquiano como para o lado preferido em uma guerra civil iraquiana.

O Oriente Médio fora do Iraque poderá permanecer igual a hoje, fora eventos imprevistos como golpes, revoluções ou grandes guerras. O Irã ainda pode ser impedido de desenvolver armas nucleares, mas se romper o monopólio de Israel de armas nucleares no Oriente Médio, Egito, Arábia Saudita, Turquia e até mesmo o Iraque poderão seguir o exemplo. O temor de um novo status nuclear da Coréia do Norte pode igualmente levar o Japão e a Coréia do Sul a desenvolverem um dissuasor. E se vários Estados nucleares despontarem ao sul e leste da Europa, é possível que até mesmo a Alemanha fique tentada a desenvolver sua própria força nuclear.

De qualquer forma, o Atlântico provavelmente se tornará ainda mais extenso após Bush deixar o cargo em 2009. Aqueles que esperam por uma retomada dos laços transatlânticos calorosos provavelmente ficarão desapontados. A antiga política externa atlanticista do norte acabou.

Seu lugar foi tomado principalmente por oficiais militares de carreira, que são principalmente nacionalistas conservadores moderados do Sul americano, e por uma enorme variedade de grupos civis de pressão econômica, ideológica e étnica que contribuem com indicações de pessoal para o Poder Executivo.

Alguns esperam que um resultado do desastre no Iraque será uma novo compromisso americano para um acordo duradouro na questão palestina. Mas se os Estados Unidos conseguirem se desembaraçar do Iraque e do Afeganistão e permanecer fora de outros países muçulmanos, então o fraco incentivo para os políticos americanos tentarem equilibrar o apoio a Israel com apelos à opinião pública muçulmana será ainda menor.

Provavelmente haverá uma retomada da doutrina Powell: os Estados Unidos devem enviar tropas apenas como último recurso, apenas quando a ação militar for apropriada e apenas com quantidade esmagadoramente superior de força.

O colapso da estratégia neoconservadora de hegemonia americana no Oriente Médio e no mundo não significa sucesso da principal alternativa. Na política externa complacente do Partido Democrata, o neoliberalismo continua sendo a alternativa preferida à estratégia do governo Bush. Os neoliberais concordam com os neoconservadores na meta da política externa americana - um livre mercado global em um mundo policiado pelos benevolentes Estados Unidos.

A diferença entre eles está nos detalhes. Os neoliberais argumentam que os Estados Unidos devem tornar sua hegemonia global mais palatável para outros países, endossando a lei internacional e trabalhando por meio de instituições internacionais como a ONU e a Otan. Os neoliberais simpatizam mais com a idéia de uma “intervenção humanitária” em países como Kosovo e Sudão para encerrar massacres étnicos.

A única guerra humanitária até o momento foi o ataque da Otan à Sérvia, em 1999. Ela foi tão impopular nos Estados Unidos que Clinton a travou inconstitucionalmente, sem uma declaração de guerra do Congresso americano.

Mesmo se houvesse apoio político nos Estados Unidos para uma política neoliberal ambiciosa de intervenção humanitária, os instrumentos para ela não existem. As forças armadas americanas estão sobrecarregadas a ponto de se despedaçarem pelo desastre no Iraque e a cultura militar americana continua profundamente hostil aos esforços de construção de países.

Alguns neoliberais pedem por um vasto programa de investimento nos países em desenvolvimento e no Oriente Médio. A experiência nunca será testada porque o dinheiro não existe -Bush e o Congresso republicano o gastaram na guerra no Iraque e na redução dos impostos para os ricos. Na segunda década do século 21, a redução do déficit orçamentário federal provavelmente será a prioridade em Washington. A ajuda americana para países estrangeiros poderá muito bem ser reduzida.

Seja lá o que venha a acontecer, está claro que os longos anos 90 finalmente acabaram, com suas esperanças utópicas longe da realização. A fantasia neoconservadora de uma hegemonia global unilateral foi desacreditada e o sonho neoliberal de uma ordem internacional liderada pela ONU também foi uma ilusão. Um acordo de grandes potências, organizado e liderado pelos Estados Unidos, oferece a melhor esperança de reconciliar a paz internacional com a ordem liberal em um mundo no qual o perfeito permanece o inimigo do bom.

Michael Lind é membro da Fundação Nova América

Tradução: George El Khouri Andolfato. Publicado em Prospect.

http://blog.controversia.com.br/2006/11/05/o-mundo-pos-bush/


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