Eliel
Mendes
Eliel
Mendes
Brasília, Cidade do meu amor
 
 
 
Início  Contato
 
Untitled Document
  Início
  Notícias
  Propostas/Publicações
  Comitês
  Agenda
  Receba o Boletim
  Pedido de Material/Sugestões
  Voluntários
  Prestação de Contas
(Demonstrativo)
  Galeria de Fotos
  Área Restrita
   
   
   

 
BRASÍLIA NO CAMINHO CERTO
Notícias

09/02/2008
O Brasil que se Mata

O Brasil que se mata

Em 30 anos, a se completarem em dezembro, o Brasil terá registrado 1 milhão de homicídios computados pelo DataSIS, do Ministério da Saúde. O banco de dados sobre mortes no Brasil começou em 1979. O ranking hoje é liderado por Pernambuco, Espírito Santo e o Rio de Janeiro. A partir de 2003, os casos apresentaram declínio, mas a criminalidade está migrando para o Norte e o Nordeste, apesar de manter índices preocupantes no Sul/Sudeste.

Estudioso da violência, o economista Daniel Cerqueira, do Instituto de Pesquisas Econômica Aplicada, adverte para a tragédia anunciada da segurança pública brasileira, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo. Responsabiliza os políticos pela ausência de estratégias de médio e longo prazos que não se enquadrem no calendário eleitoral. E cobra uma reviravolta nos programas de combate aos crimes. Propõe que deixem de ser reativos e meramente preventivos e se antecipem à violência e ao banditismo, fortaleçam-se em projetos sociais eficientes e em táticas de policiamento adaptadas a cada realidade.

Ações centradas nos incidentes, no crime em si, ou apenas na prevenção não funcionam e estão ultrapassadas no mundo todo, constata o economista. O poder de polícia funciona melhor se for descentralizado e vier acompanhado de instrumentos de controle contra desvios de conduta. O primeiro cerceia a corrupção; o segundo, a denuncia.

Os números de assassinatos de brasileiros por brasileiros são assustadores. Estados Unidos e países europeus conseguiram diminuir as ocorrências sem escamotear dados e com um diagnóstico preciso da criminalidade. Definiram as prioridades e montaram os programas com o cruzamento de dados da saúde, o levantamento das vítimas dos variados crimes (não apenas homicídios) e a descentralização das ações policiais. O caminho já foi traçado. O Brasil pode aproveitar e construir o seu em direção a um país menos violento.

Causas da Violência no Brasil

Nos últimos anos, a sociedade brasileira entrou no grupo das sociedades mais violentas do mundo. Hoje, o país tem altíssimos índices de violência urbana (violências praticadas nas ruas, como assaltos, seqüestros, extermínios, etc.); violência doméstica (praticadas no próprio lar); violência familiar e violência contra a mulher, que, em geral, é praticada pelo marido, namorado, ex-companheiro, etc...

A questão que precisamos descobrir é porque esses índices aumentaram tanto nos últimos anos. Onde estaria a raiz do problema?...

Infelizmente, o governo tem usado ferramentas erradas e conceitos errados na hora de entender o que é causa e o que é conseqüência. A violência que mata e que destrói está muito mais para sintoma social do que doença social. Aliás, são várias as doenças sociais que produzem violência como um tipo de sintoma. Portanto, não adianta super-armar a segurança pública, lhes entregando armas de guerra para repressão policial se a “doença” causadora não for identificada e combatida.

Já é tempo de a sociedade brasileira se conscientizar de que, violência não é ação. Violência é, na verdade, reação. O ser humano não comete violência sem motivo. É verdade que algumas vezes as violências recaem sob pessoas erradas, (pessoas inocentes que não cometeram as ações que estimularam a violência). No entanto, as ações erradas existiram e alguém as cometeu, caso contrário não haveria violência.

Em todo o Mundo as principais causas da violência são: o desrespeito -- a prepotência -- crises de raiva causadas por fracassos e frustrações -- crises mentais (loucura conseqüente de anomalias patológicas que, em geral, são casos raros).

Exceto nos casos de loucura, a violência pode ser interpretada como uma tentativa de corrigir o que o diálogo não foi capaz de resolver. A violência funciona como um último recurso que tenta restabelecer o que é justo segundo a ótica do agressor. Em geral, a violência não tem um caráter meramente destrutivo. Na realidade, tem uma motivação corretiva que tenta consertar o que o diálogo não foi capaz de solucionar. Portanto, sempre que houver violência é porque, alguma coisa, já estava anteriormente errada. É essa “coisa errada” a real causa que precisa ser corrigida para diminuirmos, de fato, os diversos tipos de violências.

No Brasil, a principal “ação errada”, que antecede a violência é o desrespeito. O desrespeito é conseqüente das injustiças e afrontamentos, sejam sociais, sejam econômicos, sejam de relacionamentos conjugais, etc. A irreverência e o excesso de liberdades (libertinagens, estimuladas principalmente pela TV), também produzem desrespeito. E, o desrespeito, produz desejos de vingança que se transformam em violências.

Nas grandes metrópoles, onde as injustiças e os afrontamentos são muito comuns, os desejos de vingança se materializam sob a forma de roubos e assaltos ou sob a forma de agressões e homicídios. Já a irreverência e a libertinagem estimulam o comportamento indevido (comportamento vulgar), o que também caracteriza desrespeito e produz fortes violências.

Observe que quando um cidadão agride o outro, ou mata o outro, normalmente o faz em função de alguma situação que considerou desrespeitosa, mesmo que a questão inicial tenha sido banal como um simples pisão no pé ou uma dívida de centavos. Em geral, a raiva que enlouquece a ponto de gerar a violência é conseqüência do nível de desrespeito envolvido na respectiva questão. Portanto, até mesmo um palavrão pode se transformar em desrespeito e produzir violência. Logo, a exploração, o calote, a prepotência, a traição, a infidelidade, a mentira etc., são atitudes de desrespeito e se não forem muito bem explicadas, e justificadas (com pedidos de desculpas e de arrependimento), certa¬mente que ao seu tempo resultarão em violências. É de desrespeito em desrespeito que as pessoas acumulam tensões nervosas que, mais tarde, explodem sob a forma de violência.

Sabendo-se que o desrespeito é o principal causador de violência, podemos então combater a violência diminuindo os diferentes tipos de desrespeito: seja o desrespeito econômico, o desrespeito social, o desrespeito conjugal, o desrespeito familiar e o desrespeito entre as pessoas (a “má educação”). Em termos pessoais, a melhor maneira de prevenir a violência é agir com o máximo de respeito diante de toda e qualquer situação. Em termos governamentais, as autoridades precisam estimular relacionamentos mais justos, menos vulgares e mais reverentes na nossa sociedade. O governo precisa diminuir as explorações econômicas (as grandes diferenças de renda) e podar o excesso de “liberdades” principalmente na TV e no sistema educativo do país. A vulgaridade, praticada nos últimos anos vem destruindo valores morais e tornando as pessoas irresponsáveis, imprudentes, desrespeitadoras e inconseqüentes. Por isso, precisamos, também, restabelecer a punição infanto-juvenil tanto em casa quanto na escola. Boa educação se faz com corretos deveres e não com direitos insensatos. Precisamos educar nossos adolescentes com mais realismo e seriedade para mantê-los longe de problemas, fracassos, marginalidade e violência. Se diminuirmos os ilusórios direitos (causadores de rebeldias, prepotências e desrespeitos) e reforçarmos os deveres, o país não precisará colocar armas de guerra nas mãos da polícia para matar nossos jovens cidadãos (como tem acontecido tão freqüentemente).

Valvim M Dutra

Extraído do capítulo 9 do livro Renasce Brasil.


www.elielmendes.com - elielmendes@elielmendes.com
 
   Desenvolvido porSite da WebNewWay