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BRASÍLIA NO CAMINHO CERTO
Notícias

24/09/2007
Descoberta do Túmulo de Jesus?

Arqueólogos desacreditam descoberta do túmulo de Jesus

Por Laine Furtado

O realizador do filme Titanic, James Cameron, garante ter encontrado o que, presume, seja o túmulo de Jesus Cristo. Durante o mês de março, o cineasta apresentou um documentário no TV Discovery Channel, que contraria as doutrinas cristãs, tudo por causa de um achado arqueológico de 1980. A revelação de Cameron é suficiente para, pretensamente, afundar o Cristianismo, uma vez que o documentário diz apresentar provas de ter encontrado o túmulo de Jesus. O documentário, The Lost Tomb of Jesus (O último túmulo de Jesus) afirma ter identificado o túmulo onde foram enterrados Jesus Cristo, sua mãe Maria, e Maria Madalena.

As supostas revelações do documentário fazem referências a um túmulo encontrado em 1980, no subúrbio de Talpiot, em Jerusalém. O achado original data de quase trinta anos e aconteceu a norte de Jerusalém, durante a construção de um parque industrial num subúrbio da Terra Santa. Nele, os arqueólogos encontraram dez caixões – ou repositórios de ossos – e três crânios. Seis deles portavam inscrições, que foram traduzidas como Jesus, filho de José; Judá, filho de Jesus; Mariamne (apontado como o verdadeiro nome de Maria Madalena); Maria; José; e, Mateus. Mas, à época, o achado não gerou grande interesse, porque os nomes eram comuns há dois mil anos.

Quinze anos depois, a equipe de Cameron submeteu os resíduos de ossos a testes de DNA, e verificou que não havia parentesco entre os ossos que seriam de Jesus e Maria Madalena, levando-os a concluir que ambos só poderiam estar na mesma tumba se fossem casados. Embora não questione o episódio bíblico da Ressurreição – já que não havia ossos nos caixões – o documentário de US$ 2 milhões busca por em questão os pilares do Cristianismo, da mesma forma que o livro O Código da Vinci, de Dan Brown. Mas, Amos Kloner, o arqueólogo israelense que descobriu os ossuários em 1980, disse que discorda da teoria de Cameron, de que a tumba pertencia à família de Jesus. Na opinião de Kloner, a idéia é apenas um golpe de marketing.

O produtor cinematográfico norte-americano, James Cameron, e o realizador canadense Simcha Jacobovici, afirmam que o documentário “O túmulo de Jesus” mostra que a mensagem que foi transmitida há dois mil anos continua a ser válida hoje em dia. Em conferência de imprensa, na Biblioteca Pública de Nova Iorque, Cameron afirmou: “Penso que haverá quem diga que estamos a tentar minimizar a Cristandade, mas isso é muito, mas mesmo muito, diferente do que pretendemos. O que este filme e a investigação para o filme conseguem trazer, pela primeira vez, à luz do dia, são provas tangíveis, físicas, arqueológicas e, em alguns casos, forenses, que podem ser analisadas cientificamente, da mesma maneira que faríamos numa investigação criminal, em termos de prova de DNA”, acrescentou.

Jacobovici explicou que a realização do documentário foi uma jornada de três anos, que parece mais incrível do que a ficção. “A idéia de, possivelmente, encontrarmos o túmulo de Jesus e de vários membros da sua família, com provas científicas tremendas, está para além do que alguém pode imaginar”. Os cineastas analisaram dez ossários encontrados em 1980, no Bairro de Talpiot, em Jerusalém e que, presentemente, estão entregues à Autoridade de Antiguidades de Israel e guardados num armazém em Bet Shemesh.

Seis dos ossários tinham gravados nomes ligados à família de Jesus: Jesus, filho de José, Judas, filho de Jesus, Maria, Mariamne, José e Mateus. Neles foram encontrados três caveiras e vários ossos, que, segundo o costume judaico, foram imediatamente sepultados.

A equipe de Cameron mandou fazer testes de DNA a dois ossários na Universidade de Lakehead, no Canadá, onde concluíram que se tratava de duas pessoas sem relações de sangue e que, por isso, deveriam ser casadas. No documentário, o narrador, Ron Withe, diz: “Talvez Jesus e Maria Madalena fossem casados, como sugerem os resultados de DNA dos ossários de Talpiot e, talvez, a sua união fosse mantida secreta, para proteger uma potencial dinastia - um segredo guardado ao longo dos tempos. Um segredo que, agora, pudemos descobrir no túmulo da Sagrada Família”.

A tumba onde os ossos foram encontrados permanece sob guarda armada. O cientista que supervisionou as escavações em 1980, Amos Kloner, disse que os nomes eram coincidência, e qualificou o filme como “bobagem”. “É uma ótima história para um filme, mas, é impossível”, afirmou, em entrevista ao jornal Jerusalem Post. “Jesus e seus parentes eram uma família da Galiléia, sem laços com Jerusalém. A tumba de Talpiot pertencia a uma família de classe média do primeiro século.

”De acordo com o antropólogo Joe Zias, “cerca de 48% das mulheres do período a que se referem os ossários chamam-se Mariam, Maria ou Shlomtzion. O mesmo sucedia com nomes como José, Jesus, e por aí adiante, nomes muito comuns, que encontramos freqüentemente nos registos arqueológicos.” O que aqui fizeram foi, simplesmente, tentar, de um modo muito desonesto, enganar o público, levando-o a acreditar que este é o túmulo de Jesus, ou da família de Cristo. Não tem nada a ver com ele”, explicou o antropólogo.

Já James Tabor, professor de estudos religiosos, explicou que é a reunião dos nomes que os torna únicos. “Se olharmos para estes nomes, Jesus, filho de José, Maria, Mariamene, Yose, são nomes que, através dos textos históricos, podemos relacionar com esta família em particular. Não se trata de um Jesus qualquer, mas de Jesus, filho de José”, explicou Tabor. Um outro professor de estudos bíblicos, Stephen Pfann, disse que o que vê, claramente, no túmulo é o nome “Hanun”, em vez de “Jesus”. “Por isso, Cristo pode não estar no túmulo”, concluiu.

Diante de tanta polêmica, o Discovery Channel divulgou uma declaração em que afirma que, se os restos mortais de Jesus foram encontrados, isso contradiz a ascensão física aos céus, mas não a idéia de uma ascensão espiritual. Em uma coletiva promovida pelo canal, o professor de língua e literatura do Novo Testamento, do Seminário Teológico de Princeton, Dr. James Charlesworth, disse que os achados poderiam fundamentar ainda mais a doutrina cristã, provando que Jesus era humano e divino. A presidente do Discovery Channel, Jane Root, informou que a emissora mantém uma política de total neutralidade editorial ao apresentar evidências científicas, abrindo espaço para que os espectadores julguem o mérito das declarações mostradas no programa e tomem suas próprias decisões. O canal já exibiu outros programas sobre o assunto, incluindo o documentário sobre o suposto ossuário de Tiago, irmão de Jesus, além de especiais sobre O Código Da Vinci, que examinaram as alegações usadas no enredo, de que Jesus teria sido casado com Maria Madalena e gerado um filho.

A repercussão

Grupos cristãos se pocisionaram contra o Discovery Channel, pela exibição do documentário The Last Tomb of Jesus. A informação, de que os ossos de Jesus foram encontrados, é contrária ao estabelecido pela Bíblia, de que Cristo ressuscitou de seu túmulo e ascendeu aos céus. Nos Estados Unidos, várias entidades cristãs se posicionaram contra a exibição do documentário, que acabou indo ao ar no dia previsto, 4 de março. Nomes como James Dobson, Pat Robertson, Joyce Meyer, entre outros, afirmaram que esse tipo de documentário, sem provas arqueológicas comprováveis, tenta prejudicar a fé cristã, mas, por outro lado, que até mesmo a arqueologia, que busca negar a existência das narrativas bíblicas, se vê, a cada momento, provando fatos históricos da Bíblia.

O anúncio da alegada descoberta do “túmulo perdido de Jesus” foi recebido pelos especialistas católicos, em arqueologia, com duras críticas contra a “fantasia” e a intenção “publicitária” dos produtores do documentário. O Studium Franciscanum Biblicum de Jerusalém, através da sua Faculdade de Ciências Bíblicas e Arqueológicas, considera que as declarações de James Cameron estão marcadas por “arqueologia inventada, publicidade e vontade de vender”.

Fabrizio Bisconti, secretário da Comissão Pontifícia de Arqueologia Sacra (instituída em 1852), declarou à Rádio Vaticano, que os nomes a que se fazem referência, estavam “muito difundidos” no tempo de Jesus Cristo, em especial a inscrição “Jeshua bar Joseph” (Jesus filho de José), que aparece “pelo menos 70 vezes” nos ossários encontrados até hoje. “De forma alguma podem ser identificados com o túmulo de Jesus”, assegura. Ele lembra que os arqueólogos israelitas não sustentam as teses de Cameron, que está mais preocupado “com o comércio e a divulgação” do documentário, do que com as “fases científicas em que se constrói a arqueologia”.

No Brasil, Randy Thomasson, presidente da Campanha para as Crianças e as Famílias, divulgou um pronunciamento oficial, dizendo que a ressurreição de Jesus é um fundamento imutável no qual ele acredita. Em sua opinião, se Jesus não ressuscitou, o Cristianismo é inútil. Líderes religiosos evangélicos também se colocaram contra a mensagem do filme de Cameron, afirmando que vai contra todos os preceitos estabelecidos na Bíblia e sobre a veracidade bíblica da morte e ressurreição de Cristo.

Yossef Gat, arqueólogo ligado à Autoridade de Antiguidades de Israel, foi o responsável pela descoberta da câmara mortuária no sudeste de Jerusalém, em 1980. Ali encontrou um túmulo tipicamente judaico, que remontava aos tempos do Rei Herodes. Os arqueólogos constataram que o espaço principal tinha sido coberto com terra e detritos, escondendo seis “kokhim”, espaços onde os corpos permaneciam um ano ou o tempo necessário para a decomposição, segundo os ritos judaicos, antes de os parentes poderem recolher os ossos para guardá-los num ossário. Yossef Gat descobriu 10 ossários, com inscrições em hebraico e grego antigo, uma das quais dizia “ Jeshua bar Joseph”, outra “Mara” (forma comum de Maria) e outra “Yose” (forma comum de José). O interior da câmara mortuária esteve encerrado durante longos anos, por causa da construção de um edifício, precisamente, por cima do espaço.

A Igreja Ortodoxa grega também manifestou sua posição, acusando o cineasta James Cameron de “ignorância” e, de tentar “prejudicar a fé cristã”, por afirmar que descobriu o túmulo de Jesus Cristo. “Expressamos nosso pesar pela ignorância histórica, a falta de base científica e de evidências desse caso, cujo objetivo é prejudicar aquilo que constitui nossa fé”, informou, em comunicado, o Sínodo Sagrado da Igreja grega. A descoberta do túmulo de Jesus contestaria a crença cristã, de que Jesus ressuscitou e ascendeu ao céu.

Representantes do Sínodo Sagrado disseram que não é por acaso que o anúncio da suposta descoberta foi feito pouco antes da Páscoa, comemorada este ano por todos os cristãos, em 8 de abril. Os estudiosos receberam o caso com ceticismo, sendo que alguns especularam que tudo pode não passar de golpe publicitário. As Igrejas Ortodoxa e Ocidental se dividiram no cisma de 1054. De acordo com o recenseamento mais recente, 98 por cento dos gregos são cristãos ortodoxos.

Os cristãos chilenos também comentaram o assunto. A Unidade Evangélica do Chile se manifestou contra o documentário e tentou impedir a exibição do filme do diretor James Cameron. Segundo Alberto Quezada, bispo presidente da Unidade Evangélica, o documentário “ofende gravemente nossa honra, ao apresentar a figura de Jesus Cristo, de uma forma distinta à tradição bíblica, negando sua ressurreição, que é a base de nossa fé”. O recurso foi dirigido contra o Discovery Channel e as empresas pagas de televisão VTR, Telefônica Chile e Directv, que disponibilizam em sua programação à emissora internacional.

http://www.linhaaberta.com/edicoes/ed%20104/especial.htm


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